"A entrega de cinzas recupera o seu ritual com uma sala íntima."
Juan Carlos Ferrán — Director Comercial, ÚNICO Servicios Funerarios
Da reforma.
No terceiro dia de Funermostra, o podcast de Vivo Recuerdo recebe a Juan Carlos Ferrán, Diretor Comercial da Único Servicios Funerarios, uma empresa com 30 anos de trajetória em design de interiores e construção que entrou no setor funerário há apenas seis. Tudo começou quando um empresário funerário lhes pediu para reformar um tanatório em Cartagena e a equipa abordou-o com um olhar pouco habitual: «Tratamo-lo como um hotel». A partir dessa obra e da reabilitação de um columbário, detetaram um nicho e deram forma a uma divisão especializada.
Ferrán explica que a chave foi desenhar columbários modulares, personalizáveis e replicáveis, afastados do betão pré-fabricado tradicional. Após dois anos de protótipos, ensaios e documentação técnica —patente, modelo de utilidade e provas de resistência— a proposta começou a consolidar-se. Hoje somam mais de 53 instalações, presença em Portugal e projetos em distintos pontos de Espanha.
Ritual de entrega.
Com o auge da cremação após a COVID, o setor deparou-se com um problema prático e emocional: onde guardar cinzas e como devolver-lhes um momento de recolhimento. Único responde com uma «sala de entregas» pensada para recuperar esse ritual: um espaço privado onde projetar imagens, música e recordações, e onde a urna pode ser depositada no columbário num ambiente acolhedor.
A proposta incorpora colaboração tecnológica com soluções como Vivo Recuerdo, permitindo que a família converta a entrega numa homenagem personalizada. Ferrán resume-o como uma alternativa ao cemitério tradicional, mais cómoda e acessível, sem renunciar à visita em datas assinaladas.
Mudança cultural.
Ferrán observa uma transformação clara: mais diversidade cultural, menos luto imposto e uma despedida que procura recordar com carinho. Para ele, o futuro passa por tecnologia, sustentabilidade e novos espaços: «quem não se renova fica de fora». Nessa linha, destaca o peso crescente da sustentabilidade como exigência transversal e o papel dos tanatórios como locais que não só se despedem, mas também acompanham e conectam as famílias.