"A morte continua a ser tabu e por isso ninguém deixa nada pedido."
Daniela Rueda — CEO, Una Vida Mallorca
Outra forma.
No podcast funerário de Vivo Recuerdo durante a Funermostra (Feira de Valência), a CEO Daniela Rueda apresenta a abordagem de Una Vida Mallorca a partir de um lugar pouco habitual: o do planeamento e do acompanhamento emocional do adeus. A sua proposta move-se entre o «funeral planner» e a criação de cerimónias laicas, com música, oradores e, quando possível, espaços ao ar livre.
Rueda explica que o ideal seria deixar isso solicitado em vida, mas reconhece que «nos custa muito falar da nossa própria morte». Por isso, na prática, muitas famílias ligam quando o óbito já ocorreu e apenas restam «três dias» — às vezes «com 24 horas» — para tomar decisões. Nessa margem, ela ajuda a escolher agência funerária e local, e também a organizar o prático, incluindo a criação de um grupo de WhatsApp para evitar que a família tenha de avisar «por aqui e por ali».
Velório vivo.
O seu selo está na cena do velório: plantas vivas e da estação, álbuns de fotos, molduras, velas ou incenso se a família o autorizar. Resume-o com uma ideia clara: «não há nada para ver» entre um velório cuidado e um convencional. O objetivo, insiste, é que a homenagem seja «esse ponto de luz» que, com o passar do tempo, a família enlutada recorda como algo bonito e útil para iniciar o luto.
Partilhe anedotas que mostram até onde chega a personalização: um funeral inspirado em bandas sonoras do faroeste —«O Bom, o Mau e o Vilão»—, pedidos impossíveis como uma pira viking, ou mesmo a ideia de um funeral nudista. Para ela, a música e os símbolos da pessoa são a porta mais respeitosa para falar de vida num momento de perda.
Inovar com propósito.
Após a COVID, observa uma tendência preocupante: velórios mais curtos e cerimónias que desaparecem, algo que, a seu ver, dificulta «fechar o ciclo». Por isso, defende que, mesmo que seja simples, a cerimónia importa.
Nessa mesma linha, valorize a tecnologia quando serve o vínculo: apoia Vivo Recuerdo porque «uma imagem vale mais que mil palavras» e porque pode ajudar as famílias a despedir-se com mais verdade, mais memória e mais cuidado.