"Atravessar o oceano já não impede de estar presente na homenagem".

Juan José López — Ex Vicepresidente Primero, PANASEF

Revezamento e balanço.

Na feira de Valencia, o podcast funerário de Vivo Recuerdo conversa com Juan José López, até agora vice-presidente primeiro de PANASEF. Asociación Nacional de Servicios Funerarios (Espanha), na véspera da sua substituição após 16 anos no cargo. López enquadra a sua saída como parte natural do ciclo de qualquer associação: «tem de entrar seiva nova, ideias novas», para que a patronal continue a ser referência do setor.

No seu balanço, destaca uma transformação profunda da própria entidade: de ser pouco conhecida e com baixa representatividade a tornar-se interlocutor habitual junto de administrações, imprensa e inclusive no âmbito judicial. Salienta ferramentas como o relatório anual do setor, que define como o catecismo numérico para entender serviços, faturação, tendências e mudanças estruturais. Entre eles, realça um dado que simboliza a evolução interna do setor: o aumento do emprego feminino, que, segundo indica, já ronda os 37-38%.

Profissão e norma.

López situa a profissionalização como eixo do trabalho da associação: formação específica desenhada por profissionais funerários e práticas em instalações de empresas associadas. Assinala como marco recente a aprovação de um ciclo de FP para técnico funerário, um passo que considera chave para consolidar o ofício com padrões reais.

Paralelamente, detalha avanços regulatórios complexos, como a «guia de consenso» para harmonizar critérios de polícia sanitária mortuária entre comunidades autónomas. E reconhece lacunas por preencher: uma lei básica de serviços funerários de âmbito nacional e a batalha para recuperar o IVA reduzido, por se tratar — argumenta — de um serviço essencial.

O desafio laboral.

Olhando para o futuro, López identifica duas forças inevitáveis: a concentração empresarial e uma mudança geracional que exige conciliação e sustentabilidade laboral num serviço «365 dias, 24 horas». Por isso, insiste que a prioridade será avançar em relações laborais e acordos que tornem viável atrair talento.

Nesse âmbito, valoriza o contributo de Vivo Recuerdo a partir de uma necessidade concreta: «a lei obriga-nos a fazer a inumação ou a cremação num período de tempo tão curto», e muitos familiares que vivem longe não chegam. Para López, permitir que possam participar e partilhar memórias à distância «enriquece» a despedida. A reflexão final deixa uma mensagem clara: o setor muda por pressão social e laboral, e a diferença já não está nos meios, mas sim em como se acompanha melhor as famílias.