"O México vive o Dia dos Mortos como um reencontro, não uma despedida".
Roberto García — Director Comercial, Olimpia Agencia Agência funerária (MX)
Tradição viva.
No podcast funerário de Vivo Recuerdo, gravado em Funermostra (Valência), Roberto García, Diretor Comercial da Olimpia Agência Funerária (Cidade do México), partilha um olhar profundo sobre o serviço funerário mexicano e o seu vínculo cultural com a memória.
Para Roberto, a chave reside na forma como o México entende a morte a partir da tradição: «sabemos como mexicanos que o nosso ente querido… vai chegar a 2 de novembro para nos visitar». Nos lares, o altar é preparado com velas, água, comida, bebida e objetos queridos, enquanto a flor de cempasúchil marca um caminho simbólico. A visita ao cemitério também faz parte do ritual: arranjam-se sepulturas, convive-se e espera-se esse reencontro com serenidade.
Repatriamento diário.
Com 68 anos de história e terceira geração, Olimpia Agência Funerária encontrou a sua especialização na repatriação. A sua proximidade ao aeroporto da Cidade do México agiliza uma operação que, no seu caso, atinge cerca de 60 receções mensais de mexicanos falecidos nos Estados Unidos. Nesse trajeto emocional, surge uma frase que pesa como identidade: «México, lindo e querido… que me tragam aqui».
O fenómeno, além disso, inverteu-se: muitas famílias já estão estabelecidas nos EUA e agora pedem para transladar para lá familiares que falecem no México, para se despedirem onde vive o núcleo familiar atual.
Profissão e futuro.
Como vice-presidente da associação nacional de diretores funerários, Roberto defende a profissionalização ética e calorosa do serviço num país de culturas regionais muito distintas. E olha para o futuro com uma ideia clara: a memória continua a ser o centro. «Enquanto a recordação segue, segue vivo», resume, recordando que inovar não é quebrar tradições, mas sim acompanhá-las melhor.